Necessidades e manejo das vistosas Araras

O grande porte, a beleza, a capacidade de interação e a inteligência dessas aves despertam grande interesse, mas elas não são para qualquer um.

De colorido alegre e grande porte – com 70 a 100 centímetros de comprimento, dependendo da espécie –, as araras se destacam também pela inteligência, forte vocalização e longevidade superior a 50 anos. Ótimos pets, interagem profundamente e formam grande vínculo com seus donos, tornando-se parte da família. Mas seu tamanho e particularidades precisam ser levados em conta antes da aquisição, para evitar arrependimento futuro. A arara adquirida com responsabilidade, certamente é ótimo animal de estimação.

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Pense no vizinho

Pela manhã, a partir do nascer do sol, e ao entardecer, as araras costumam emitir fortes gritos (assim que escurece ficam em silêncio total). Em respeito à vizinhança, não convém mantê-las em apartamento nem em casa com moradores muito próximos.

Distrações

Segundo estudos, o elevado índice cerebral das araras as torna capazes de discernir figuras, quando treinadas. Essa inteligência e mais a sociabilidade da espécie têm sua contrapartida: a necessidade de receber atenção e de se distrair. Trazer uma arara para casa é assumir o compromisso de proporcionar, provavelmente durante décadas, esses cuidados para ela bem como muitos outros típicos de quem tem animal de estimação. Alguém que adquira, com 20 anos de idade, uma arara, caso cuide adequadamente dela, aos 70 poderá ainda estar desfrutando de sua companhia. Para evitar que a arara desenvolva distúrbios comportamentais como agressividade e arrancamento de penas, não devem faltar brinquedos para ela. Parte deles é própria para ser destruída, feita com madeira, galhos, cordas, folhas e capim.
Outra, como as correntes de aço, serve para ser escalada. É importante soltar diariamente a arara, monitorando-a. Caso contrário, cortará, bicará e poderá ingerir objetos da casa, como brincos, peças brilhantes, materiais de parede e componentes de objetos eletrônicos, depois de destruí-los. Na falta de supervisão, há também a possibilidade de a arara ir parar em lugar alto e inacessível.

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Cuidados

Sempre que houver necessidade de conter a arara, o uso de uma toalha para segurá-la evitará levar bicadas violentas ou ser arranhado. Uma rotina válida é cortar periodicamente as penas de voo das asas para evitar fuga ou trombadas violentas em vidraças e paredes. Um choque forte em pleno voo pode causar fratura séria. Se a ave escapar, dificilmente conseguirá se alimentar, além de ficar sujeita a ser apanhada por predadores.

Periodicamente, convém lixar as unhas (evita arranhar e machucar seus donos) e o bico (se crescer em excesso, dificulta a alimentação) da arara. Nesse momento, uma boa iniciativa é lixá-los com o auxilio de um veterinário de aves, por dois motivos. Um é evitar erro que venha a provocar grande sangramento nas unhas. O outro é o dono escapar da associação negativa que pode ocorrer se o manejo causar estresse à ave.

Recinto

A recente Instrução Normativa 07/2015 do Ibama, publicada em maio, estipula que o viveiro para duas araras em zoológico deve ocupar no mínimo 10 m² de solo (largura x comprimento). Embora para araras de estimação não exista esse tipo de norma, acredita-se que o comprimento do viveiro possa ser de 1 metro e a largura de pelo menos 1,5 vez a envergadura total da ponta de uma asa até a ponta da outra (medida que passa de 1,5 metro). Quanto à altura mínima, calcula-se que deva corresponder ao dobro da altura da ave.
A tela ideal para fechar o viveiro é a feita com arame ondulado e soldado, sem qualquer madeira. Essas aves possuem uma grande força no bico e podem abrir as telas mais frágeis.
Ao posicionar os poleiros, é preciso que a arara fique neles sem tocar a tela com a cauda. Galhos de goiabeira e de jabuticabeira produzem bons poleiros, resistentes e de diferentes diâmetros. Comedouro e bebedouro de aço inoxidável são ideais, por serem atóxicos, laváveis e pesados.

Compra legal

A criação de aves silvestres no Brasil é permitida pela Lei de Fauna 5.197/67. A comercialização também é autorizada, desde que feita por criadouro ou revendedor devidamente registrado no Ibama, segundo Portaria 117/97, artigo 10º. O parágrafo 1º desse artigo determina que o animal comercializado vivo tenha marcação de tipo aprovado pelo Ibama e que esteja  companhado de nota fiscal. Desde o início de 2015, está em vigor, no site do Ibama, um sistema que gera um número no ato da compra e um certificado de origem. É permitida também a comercialização de animais ameaçados de extinção, desde que sejam pelo menos F2, ou seja, no mínimo netos de matriz nascida na Natureza. Para eles, é exigida dupla marcação. Uma delas é microchip implantado sob a pele, na musculatura peitoral, com numeração única. A outra é anilha de aço colocada na perna da ave filhote e impossível de ser removida quando adulta, com identificação do criador e uma numeração. Quanto aos animais que vivem naturalmente fora do cativeiro, são de propriedade do Estado e sua perseguição, destruição, caça ou apanha é proibida pela Lei de Fauna 5.197/67, artigo 1º. Condutas e atividades lesivas ao meio ambiente estão sujeitas a sansões penais pela Lei dos Crimes Ambientais, 9.605/98.

Bico Torto

As araras fazem parte da família dos psitacídeos. Esse grupo, por ter peculiar bico curto e curvo, adaptado para quebrar e cortar sementes duras, é conhecido como “aves de bico torto”.

O país com mais variedades de psitacídeos é o Brasil. Nele vivem aproximadamente 25% das cerca de 332 espécies existentes no mundo. Do total das espécies, 26% correm risco de extinção, segundo o Censo Mundial de Psittaciformes Ameaçados de Extinção realizado pela BirdLife International.

Entre as espécies declaradas extintas na Natureza está a brasileira Ararinha Azul (Cyanopsitta spixii), natural do Nordeste e destaque do filme Rio.

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Alimentação

O hábito de dar sementes de girassol aos psitacídeos é extremamente prejudicial à saúde e longevidade deles por proporcionar gordura demais e aminoácidos e vitaminas de menos. O correto é servir ração para psitacídeos, frutas diversas, legumes, folhagens e, três vezes por semana, mistura de sementes. Coco com casca e maracujá podem ajudar a diminuir a ansiedade da ave. Não devem ser oferecidos abacate, arroz, feijão, carne, bolacha, bolacha com café, pão de queijo, leite e seus derivados, chocolate, refrigerantes em geral, cervejas e outras bebidas alcoólicas.

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Aquisição

As principais espécies de araras comercializadas regularmente no Brasil são a Arara Canindé (Ara ararauna), a Araracanga (Ara macao), a Arara Vermelha (Ara chloropterus) e a Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus), ameaçada de extinção, mas encontrada em criadouros. Ao escolher, prefira um exemplar jovem e manso, criado na mão e que esteja ativo. Evite arara que parece triste, tem penas eriçadas, está magra ou não se alimenta sozinha. Dormir muito e estar pouco ativa pode ser sinal de doença. Também não a compre se ela estiver em gaiola com galinhas, pombos, periquitos ou outras espécies de aves, para evitar o risco de transmissão de doenças.

Logo depois da aquisição, submeta a arara a uma consulta com veterinário especialista em aves. As orientações dele poderão evitar erros básicos de manejo, entre eles os alimentares, que são um dos mais comuns. Mortes por causas não infecciosas correspondem a 28,5% dos casos, originados por processos traumáticos, processos digestórios, lipidose hepática, obstrução.

Clayton Andrade e é médico-veterinário com mestrado em ciência animal pela Universidade Federal de Goiás. Atende na Clínica Veterinária ExoticVet, especializada em animais silvestres e exóticos. Site: www.exoticvet.com.br